
a mais bela estação acaba de chegar.
Bem vinda, portanto!
céu de outono.

"Abri a janela hoje e havia uma leve neblina cobrindo a cidade; parecia cenário de beira de rio de manhã bem cedinho, parecia aquele instante no qual os pescadores saem para navegar em busca das coisas que lhes são preciosas. É sempre bom navegar de manhã, quando as águas parecem matéria de sonho e se abrem lânguidas como flores tocadas pelo vento... E sendo assim, é de manhã que gosto de navegar, ainda hoje aos trinta e cinco, eu gosto de navegar; mas tem que ser de manhã bem cedo, quando o mundo é novo, quando todas as promessas podem ainda se cumprir, quando toda – toda – a filosofia é vã; quando enfim; a gente remexe memórias ancestrais, acha que escuta no fundo das águas “Atmosphere” do Joy Division e sim; nesse momento percebe que a vida vale a pena e ponto".
Todo mundo já nasce com esse sentimento. É como o branco do olho e a certeza da morte. Assim também, como as realidades quase palpáveis e indiscutíveis, o que ele sabia toda manhã, o que o olho enxergava logo cedo, o que sentia na alma, a finitude; assim as montanhas ao redor da casa. Não eram azuis, eram lilazes, já viu cor mais esquisita para uma montanha? Pois bem, essas eram lilazes. Era a cor da terra vermelha, misturada ao roxo dos cascalhos e ao marrom dos pedregulhos. De longe eram instigantes, aquela beleza imperfeita que torna o mundo um lugar cheio das incertezas que nos fazem acordar todos os dias achando que vale a pena...acordar todo dia.